Morte de Gaddafi: as manchetes pelo mundo
Veja Álbum de fotosOs anos no poder
O filho mais velho do ex-ditador líbio Muammar Gaddafi, Saif al Islam, foi capturado nesta sexta-feira (21) em Zliten, ao leste de Trípoli, e está recebendo atendimento médico pelos ferimentos que sofreu, anunciou Chaouch Ali, um dos chefes militares dos insurgentes à rede de televisão "Al Arabiya". As informações foram divulgadas pela agência Efe. Islam era o mais cotado para substituir Gaddafi no poder.
“Conseguimos capturar vivo o criminoso de guerra Saif al Islam. No momento [ele] está nas mãos dos médicos, que tentam curar as feridas dele na altura do ventre. Queremos mantê-lo com vida para levá-lo à Justiça”, afirmou o chefe militar, por telefone.
Ali acrescentou que nas próximas horas serão divulgadas imagens em vídeo de Saif al Islam, que se achava cercado desde ontem à noite em Zliten e ficou ferido após uma troca de tiros entre seus partidários e forças rebeldes. Outras pessoas foram capturadas durante a operação.
As informações, no entanto, ainda são controversas. Segundo a rede Al Jazeera, que citou uma fonte oficial militar, Saif al Islam foi hospitalizado após perder um braço.
Gaddafi, que foi capturado e morto nesta quinta-feira pelos rebeldes, será enterrado nesta sexta-feira em local secreto, anunciou Mohammed Essayeh, membro do Conselho Nacional de Transição (CNT) à rede de televisão "Al Jazeera".
O ex-líder será sepultado de acordo com o rito muçulmano, mas sem a presença de um grande número de pessoas, disse Essayeh.
Gaddafi comandava a Líbia desde 1969, quando ainda era um capitão do Exército de 27 anos de idade e derrubou o rei Idris 1º.
Os confrontos no país começaram em 15 de fevereiro deste ano, com protestos contra a prisão de um ativista de direitos humanos e contra os governantes corruptos. As manifestações da juventude líbia foram reflexos da chamada Primavera Árabe, série de manifestações iniciada neste ano e que culminou com a queda dos ditadores Zine Ben Ali (Tunísia) e Hosni Mubarak (Egito). Durante estes oito meses, em todas as suas aparições públicas, Gaddafi jamais cogitou ceder o poder e sempre disse que lutaria até a morte.
A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) deve dar uma resposta sobre o fim de sua missão na Líbia nesta sexta-feira (21). A operação na Líbia deverá ser finalizada em um trabalho conjunto com as Nações Unidas e a autoridade transnacional líbia.
Os Estados Unidos assumiram inicialmente o comando da operação aliada lançada em março para criar uma zona de exclusão aérea na Líbia, sob o argumento de que era necessário garantir a proteção dos civis. A zona de exclusão permitiu o abate de aeronaves do ex-ditador líbio.
O comando da operação tem, além dos EUA, França, Reino Unido e outros oito países. A intervenção foi autorizada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Houve cinco abstenções: Alemanha, Brasil, China, Índia e Rússia.
Em pronunciamento na Casa Branca, o presidente Barack Obama disse que a morte de Gaddafi anunciada pelo CNT "marca o fim de um capítulo longo e doloroso para os habitantes da Líbia que têm, a partir de agora, uma chance de poder determinar seu próprio destino em uma Líbia nova e democrática".
Ele acrescentou que os Estados Unidos serão parceiros da Líbia e que a missão da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) naquele país deverá ser encerrada “em breve”.
Obama advertiu, no entanto, que “dias difíceis” virão para a Líbia: "Não vamos nos enganar, o caminho da Líbia rumo à democracia será longo". Ele pediu aos líbios que respeitem os direitos humanos e mantenham bem guardadas as armas pesadas do país. E completou: “vocês venceram sua própria revolução”, elogiando a "coragem" do povo líbio na luta contra o regime de Gaddafi.
Entenda o conflito
Os confrontos na Líbia começaram em 15 de fevereiro deste ano, quando 2.000 manifestantes protestaram em Benghazi contra a prisão de um ativista de direitos humanos e contra os governantes corruptos.
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A queda do ditador Zine Ben Ali, que governara a Tunísia por 23 anos, ocorreu em 14 de janeiro e foi o estopim da chamada Primavera Árabe, com revoltas em vários países do norte da África e do Oriente Médio e a queda de outro ditador, o egípcio Hosni Mubarak, quase um mês depois.
Apesar da forte repressão, os rebeldes líbios conseguiram a simpatia da comunidade internacional. Em 17 de março, um mês após o início dos conflitos, a ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou a resolução 1973, que permite que os países aliados à Otan interviessem e tomassem “todas as medidas necessárias” para proteger a população civil.
A medida deu espaço para que os países da Otan, especialmente os EUA, o Reino Unido e a França, iniciassem bombardeios aéreos contra Trípoli e outras cidades como Benghazi e Misrata.
Ao mesmo tempo, começou o isolamento internacional de Muammar Gaddafi. Muitos países já reconhecem o Conselho Nacional de Transição como órgão legítimo do governo na Líbia.
Os nove meses de confrontos causaram muitos prejuízos para o país: milhares de pessoas morreram nos combates entre rebeldes e o governo; estima-se que, desde o início do conflito, mais de 1,2 milhão de pessoas tenha deixado a Líbia, criando uma crise humanitária. Muitos dos refugiados líbios se dirigiram à Lampedusa, ilha na Itália.
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