MARCELO NINIO
ENVIADO ESPECIAL AO CAIRO
A dificuldade em conseguir aviões fretados ou vagas em voos comerciais para deixar Benghazi deixou muitos dos 123 funcionários brasileiros da construtora Queiroz Galvão que vivem na cidade à beira do pânico.
Segundo um deles, que conversou com a Folha por telefone, a empresa prometeu retirar aqueles que não quiserem mais ficar na cidade e levá-los à capital, Trípoli, onde a situação é mais calma. Mas esbarrou na dificuldade de fretar um avião.
Pedindo para não ser identificado, o funcionário contou momentos de terror, em meio ao som de tiros que ouvia perto de sua casa.
O embaixador do Brasil em Trípoli, George Ney de Souza Fernandes, esteve ontem em Benghazi para ver de perto a situação dos brasileiros. "Estão nervosos, o que é natural numa situação de tensão, mas estão todos bem."
Logo depois do encontro, porém, a violência na cidade voltou a assustar os brasileiros. "Assim que o embaixador partiu, tudo recomeçou", contou o funcionário. "A coisa está preta. Posso ouvir tiros de metralhadora e até de canhão aqui na nossa rua."
Ele reclamou que a embaixada e a empresa não prestaram assistência suficiente aos brasileiros em Benghazi, mas reconheceu que outros países também tinham dificuldades para retirar seus cidadãos, dada a falta de vagas em voos comerciais e escassez de aviões fretados.
A Folha tentou contato com a empresa no sábado à noite, mas não conseguiu.
Benghazi é base para profissionais de diversas nacionalidades que trabalham em obras de seis cidades em construção nas redondezas. Além dos 123 brasileiros, a Queiroz tem ali 900 funcionários vietnamitas, 500 turcos e 38 portugueses.
O embaixador brasileiro disse que a empresa já deu início ao plano de retirada e que, dentro do possível, isso deverá ocorrer hoje.
O diplomata diz que, apesar da violência dos últimos dias, conseguiu pegar um voo comercial e encontrou Benghazi em relativa calma. "Não era um cenário de guerra. Havia pneus queimados e os restos dos protestos eram visíveis, mas a situação parecia sob controle." Há 500 brasileiros na Líbia, trabalhando para Petrobras e Odebrecht, além da Queiroz.
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