Desde a saída de casa, às 9h20 de ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já demonstrava emoção. E essa foi também a última imagem após deixar a escola onde votou em São Bernardo e seguir para Brasília. Antes, o chefe da Nação fez questão de cumprimentar um a um os eleitores do lado de fora do colégio.
Lula disse que sai reconfortado do cargo. "Para jogar bola a pessoa tem de se aposentar porque precisa de um esforço físico muito grande. Na política você vai ficando mais velho, mais competente, mais sabido." Mas desconversou quando a conversa foi candidatura em 2014. "Não sei se estarei vivo em 2014. Depois dos 65 anos não posso ficar fazendo prognósticos para muito tempo. Não tenho vontade de voltar. Minha vontade agora é descansar." O chefe do Executivo disse estar confiante na vitória de Dilma, mas aguardaria a abertura das urnas "para comemorar mais uma eleição."
Também descartou participação direta no governo de Dilma. "Não existe nenhuma possibilidade de um ex-presidente participar do governo de um futuro presidente. Dilma eleita tem de construir um governo que seja a cara dela, o jeito dela, tem que ter pessoas que ela confie, pessoas que possa colocar e tirar. A um ex-presidente da República só cabe torcer para que Dilma faça mais que eu fiz." Questionado se não faria nem telefonemas à petista, respondeu ser companheiro de Dilma. "É lógico que vou discutir muitas coisas com a Dilma, mas ela vai tomar posse no dia 1º de janeiro."
FORA DO PARTIDO - O presidente demonstrou interesse em andar pelo Brasil e manter relação forte com movimentos sociais, fazer experiências e socializá-las com países africanos e latino-americanos. "Não vou ficar parado, tem muita tarefa e a única coisa que não quero é ter tarefa dentro do governo ou do partido. Não quero voltar para dentro do partido. Mas não tenho como desaparecer da minha relação com a sociedade de uma hora para outra. Quero continuar viajando pelo Brasil, continuar ajudando a política. Sou um ser humano político."
Quanto à campanha conturbada e troca de ofensas, Lula não disfarçou a mágoa pelo presidenciável José Serra (PSDB) afirmando que a campanha tucana contribuiu para a disseminação do preconceito. O presidente disse que, por conta dos episódios, Serra "sai menor da eleição". "Essa campanha foi muito mais violenta de uma parte (Serra) para a outra (Dilma). A agressividade dele com a Dilma é uma coisa que eu imaginava que já tivesse terminado na política brasileira. Eu fui candidato cinco vezes e perdi três. Sempre busquei elevar o nível e não criar uma consciência preconceituosa. As mulheres ainda não são respeitadas na sua totalidade. Há preconceito na política, isso foi demonstrado agora."
O presidente comentou que o uso da religião na política deve ser refletido pelos partidos. "Sobre a tentativa de explorar a fala de um papa contra a Dilma, primeiro que a Igreja Católica é contra o aborto desde que ela existe. Não tem nenhuma novidade. Acho que a questão da disseminação do ódio é uma coisa grave, em política é muito grave. Os partidos vão ter de refletir e as igrejas pensar o seu papel, muita gente usou e abusou de seu direito de liberdade, coisa que não é correta."
Para os que temem o crescimento do PMDB no comando do governo, Lula vê aí "um grande engano". "O PMDB não toma conta do governo. O ideal era que um partido político pudesse ganhar as eleições sozinho, mas não é possível em um país heterogêneo como o nosso. Você precisa de Senado, Câmara, e uma boa relação com os prefeitos, com o governo dos Estados. Quanto mais republicano for um governo, mais facilidade ele terá de governar."
E comentou a popularidade de sua gestão. "Não é à toa que estamos terminando o governo com mais de 80% de aprovação. Temos 3% de brasileiros insatisfeitos, que devem estar todos no comitê dos adversários considerando o Governo ruim e péssimo."
Lula garantiu que deixa infraestrutura delineada. "O PAC 2, a Olimpíada, a Copa do Mundo. Dilma terá de pensar coisas novas a fazer e dar sequência nas coisas de infraestrutura que estão acontecendo no Brasil."
TIRIRICA - O presidente acredita que agora é o PT que negociará com o PSDB. Isso porque segundo ele, seu partido sai fortalecido com o crescimento das bancadas de deputados e senadores.
Ele enfatizou que o Congresso Nacional reflete a sociedade, e sobre o deputado federal Tiririca (PR), que vive polêmica pela suspeita de analfabetismo, afirmou que ele é "a cara da sociedade. Acho uma cretinice o que estão tentando fazer com o Tiririca. Estão desrespeitando 1 milhão e meio de pessoas que votaram nele. Então que não deixassem ele ser candidato. Quem tem de fazer prova é quem está pedindo para ele fazer prova."
E criticou o fato de as questões políticas estarem sendo resolvidas no Judiciário. "O Congresso tem de deixar o mínimo de possibilidades daquilo ser resolvido no Judiciário. É preciso criar mecanismos para evitar que a pessoa seja candidata. Mas de qualquer forma esse é o nosso Brasil."
Sobre a Lei da Ficha Limpa disse que o Congresso deveria ter sido preciso. "A lei poderia ser clara, se tem efeito retroativo ou não."
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