RIO - A iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, que aguarda a decisão da Justiça de seu país sobre sua execução, confessou, em entrevista exibida pela TV estatal nesta quarta-feira, ter cometido adultério e ter se envolvido no assassinato do marido, como noticia o diário britânico "Guardian". O advogado dela, no entanto, diz que a confissão só aconteceu por que sua cliente foi torturada ao longo dos dois dias que precederam a gravação da entrevista, na prisão de Tabriz, onde ela está há quatro anos.
- Ela foi severamente torturada até aceitar aparecer em frente à câmera. Seu filho Sajjad, de 22 anos, e sua filha Saide, de 17, ficaram totalmente traumatizados assistindo ao programa - afirmou o advogado Houtan Kian ao diário britânico.
Falando em seu idioma nativo, o azeri, Sakineh teria dito ao entrevistador que ela foi cúmplice no assassinato do marido e que teve uma relação extraconjugal com um primo dele. A entrevista foi transmitida em um programa chamado 20h30, e as declarações tiveram tradução simultânea sobreposta à voz da iraniana, que ficou em um volume mais baixo.
Diante da confissão, o advogado afirmou que agora teme que as autoridades iranianas atuem rapidamente para levar adiante a sentença de morte, que antes seria executada por apedrejamento, mas depois, em meio à grande pressão internacional, acabou alterada para enforcamento.
O jornal britânico diz que um fator que corroboraria a versão do advogado foi que Sakineh em um determinado momento da entrevista culpa a mídia ocidental por interferir na sua vida pessoal.
Itamaraty mantém esperança
Sem receber qualquer resposta oficial de Teerã sobre a oferta brasileira de dar asilo à iraniana, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, preferiu manter uma ponta de otimismo quanto ao desfecho do caso. No Rio, onde nesta quarta-feira proferiu a aula magna do curso de História da UniRio, o chanceler sugeriu que um gesto humanitário seria positivo para a imagem do Irã.
- Sakineh é acusada não só de adultério, mas de homicídio. Não vou discutir a questão de homicídio porque não temos como julgar como foi o processo. A situação dessa moça, a ameaça de apedrejamento, é uma coisa que choca a sensibilidade brasileira. Sei que é diferente, que se trata de uma iraniana, e há aspectos legais internos. Mas quem sabe um gesto humanitário não seja bom para o Irã, para a própria imagem que tem no mundo? - afirmou o ministro.
Também nesta quarta, em comunicado, a Anistia Internacional reiterou que Sakineh pode ser executada a qualquer momento. Protestos para salvar sua vida correm pela internet e se espalham por Estados Unidos, Europa e América Latina.
As vozes que pedem pela iraniana, que já contaram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva , foram reforçadas esta semana pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton. Em nota, ela disse que os EUA estão preocupados com o caso Sakineh e urgem o governo iraniano "a deter esse tipo de execução".
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