DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Em reação ao pronunciamento do ditador Hosni Mubarak, que nesta quinta-feira recusou-se a deixar o comando do Egito mas passou grande parte de seus poderes ao vice, Omar Suleiman, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que a transição ainda não é "crível" e pediu para que o governo egípcio não apele para a "repressão ou brutalidade" frente aos megaprotestos que se anunciam para a sexta-feira.
Obama disse que o governo egípcio ainda precisa implementar medidas que levem a um caminho "crível, concreto e inequívoco" à democracia.
"Disseram ao povo egípcio que haveria uma transição de autoridade, mas ainda não está claro se esta transição é imediata, significativa ou suficiente", disse o presidente americano.
Ainda na tarde desta quinta-feira, o diretor da CIA (agência de inteligência americana), Leon Panetta, afirmou que há uma "forte possibilidade" de Mubarak renunciar ainda nesta noite. A declaração foi feita em audiência no Congresso americano.
Analistas estimam que a decisão de Mubarak, que frisou que não vai se deixar "influenciar por demandas ou ingerências de outros países", pode ser interpretada como um desafio ao governo americano, que pode agora aumentar o tom em relação à crise.
Após uma visita ao Estado de Michigan, Obama assistiu ao discurso de Mubarak a bordo do Air Force One, aeronave da Presidência americana.
Mais cedo, ainda antes do discurso de Mubarak, Obama disse que seu país "acompanha de perto" os eventos no país e que Washington ficará "ao lado dos jovens egípcios" que pedem mudanças.
"Estamos acompanhando os eventos no Egito de forma muito próxima, e mais tarde teremos mais a comentar sobre a crise", disse o presidente pouco depois de chegar ao Estado de Michigan.
| Carlos Osorio/AP | ||
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| Obama disse que Washington ficará ao lado dos egípcios horas antes do pronunciamento do ditador do Egito Hosni Mubarak |
Obama destacou que o povo do Egito, "de todas as idades e origens", resolveu falar e pedir por reformas. "Mas sobretudo os jovens, os jovens de sua geração, falaram e pediram por mudanças", disse a um público de universitários americanos.
Sem mencionar ações mais concretas de seu governo quanto à possibilidade de que Mubarak renuncie ainda nesta quinta-feira, Obama limitou-se a dizer que a "América ficará ao lado dos jovens egípcios" e que é preciso relembrar que "vivemos num mundo interconectado e o que acontece do outro lado do mundo afeta nossas vidas diretamente".
As declarações de Obama chegam um dia depois de o Congresso dos EUA terem classificado a atuação do governo na crise árabe como "fracassada".
CRÍTICAS
O governo Obama foi criticado por republicanos e democratas no Congresso dos EUA na quarta-feira pelo desempenho nas crises que atingem a Tunísia e o Egito. Os parlamentares julgaram as atitudes de Washington para apoiar as reformas democráticas nos dois países árabes como insuficientes e fracassadas.
"Tanto no Egito quanto no Líbano fracassamos em levar de forma efetiva a ajuda americana para apoiar as forças de paz, pró-democráticas e ajudar a construir instituições fortes, confiáveis, como um baluarte contra a instabilidade que agora se espalha para grande parte da região", disse a representante republicana Ileana Ros-Lehtinen durante audiência no Comitê de Relações Estrangeiras do Congresso, que ela preside.
"Ao invés de sermos proativos, ficamos obcecados com a manutenção de uma estabilidade de curto prazo, personalista, que nunca foi realmente assim tão estável, como demonstram os acontecimentos das últimas semanas", acrescentou.
No Egito, continuou a representante, "o governo [americano] fracassou em aproveitar a oportunidade para pressionar por reformas a fim de responder às frustrações dos manifestantes e evitar o caos e a violência".
No Líbano, acrescentou, onde o grupo islâmico Hizbollah levou o governo ao colapso, "estamos novamente confrontados com a ausência de uma estratégia americana de longo prazo".
As críticas vieram também do lado democrata. O representante Gary Ackerman argumentou que Washington está perdendo a chance de capitalizar o movimento democrático.
"Eu temo que no Egito estejamos transformando o sucesso em fracasso", disse Ackerman.
O parlamentar teme que o governo americano seja cada vez mais associado com o regime ditatorial de Hosni Mubarak, há 30 anos no poder.
"Simplesmente não podemos nos dar ao luxo de sermos vistos no Egito como os financiadores da repressão. O povo anseia pela liberdade", emendou.
Robert Satloff, diretor executivo do Instituto de Washington de Políticas para o Oriente Médio, disse que a demora de uma transição democrática é negativa para Washington.
"Mubarak disse (que a transição deve se dar em) oito meses, contou Obama. E cada dia desde então tem sido uma vitória para Mubarak", acrescentou Satloff.
Ele disse que Washington deve se preocupar com a possibilidade de grupos islamitas como a Irmandade Muçulmana --que iniciaram negociações com o governo de Mubarak-- se envolverem na política egípcia.
"A Irmandade Muçulmana foi fundada para islamizar a sociedade, para governar segundo a lei da sharia", afirmou.
"Ela nunca desistiu de seu objetivo", concluiu.
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