Tanques atacaram redutos da oposição em Homs, onde nove morreram.
Kofi Annan, enviado da ONU, é esperado no país em crise política.
As forças do governo mataram pelo menos mais 21 pessoas nesta sexta-feira (9) em vários lugares da Síria, segundo ativistas, sendo pelo menos nove pessoas mortas por bombardeios de tanques contra bairros oposicionistas na cidade de Homs.
A retomada dos bombardeios pesados ocorre após alguns dias de relativa calma, período em que a chefe da área humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU), Valerie Amos, esteve em Homs e relatou que parte da cidade foi totalmente destruída por quase um mês de cerco militar, que culminou com a fuga de rebeldes que controlavam o bairro de Baba Amr.
"Trinta tanques entraram no meu bairro às 7h da manhã e estão usando seus canhões para disparar contra casas", disse Karam Abu Rabea, morador do bairro de Karm al-Zeitoun, em Homs.
Em outras partes do país, manifestantes contrários ao presidente sírio, Bashar al Assad, saíram às ruas para protestar após as preces islâmicas da sexta-feira.
O enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, deve chegar no sábado a Damasco para tentar acalmar a situação. Os protestos contra Assad começaram há um ano, e ameaçam descambar para uma guerra civil.
Ativistas disseram que protestos nacionais marcarão o aniversário do levante curdo no nordeste da Síria em 2004 que foi duramente reprimido por forças de segurança, deixando 30 mortos.
Annan pediu para que o diálogo levasse a uma solução política para a crise, mas opositores o criticaram, alegando essa posição apenas daria mais tempo para as forças de Assad destruírem seus inimigos.
Tanque é visto em rua de Homs, em foto divulgada pela oposição síria (Foto: AP)
Diferenças entre grandes potências têm impedido qualquer ação da Organização das Nações Unidas (ONU) para resolver o impasse, com China e Rússia se opondo firmemente a qualquer medida que possa levar a uma intervenção militar no estilo daquela que ocorreu na Líbia.
O governo chinês saudou a missão do ex-secretário-geral da ONU. "Esperamos que o senhor Annan use sua sabedoria e experiência para pressionar todos os lados na Síria a acabar com a violência e iniciar o processo de negociações de paz", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Liu Weimin.
A China, que mandou um enviado para a Síria nesta semana, disse nesta sexta-feira que enviará um chanceler assistente para o Oriente Médio e para a França para discutir a crise. O governo chinês pediu que as potências não usem a ajuda humanitária para "interferir" na Síria.
Uma antiga aliada e principal fornecedora de armas da Síria, a Rússia defendeu Assad contra os críticos de sua sangrenta repressão, juntando-se por duas vezes à China em vetos nas resoluções da ONU contra o país.
"Nós não vamos apoiar qualquer resolução que dê base para o uso da força contra a Síria", afirmou o vice-ministro de Relações Exteriores russo, Gennady Gatilov, em seu Twitter na noite de quinta-feira.
Forças de segurança sírias mataram mais de 7.500 pessoas desde que os levantes populares contra Assad começaram no ano passado, de acordo com estimativa da ONU. O governo sírio disse em dezembro que "terroristas armados" mataram mais de 2.000 soldados e policiais.
O Observatório Sírio para Direitos Humanos, baseado na Inglaterra, relatou que mais 18 pessoas foram mortas na quinta-feira, enquanto Comitês de Coordenação locais contabilizaram 62 mortos, incluindo 44 pessoas que foram assassinadas a sangue frio em Homs.
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