Seif, considerado até agora o mais provável sucessor de Kadafi, anunciou "novas leis e um debate nacional sobre uma nova Constituição que pode ser aberto a partir de amanhã se houver acordo".
"Estamos em uma reviravolta perigosa da história de nosso país, antes que todo o mundo tome as armas e haja uma guerra civil e uma cisão na Líbia, é preciso um debate nacional, com o qual Kadafi está de acordo, para passar a uma segunda república", afirmou.
O filho do líder líbio destacou que há duas opções: "Ou estamos de acordo todos os líbios que queremos a democracia, a liberdade e as reformas e atuamos com a razão, ou será o caos e nos encontraremos em um ciclo de violência pior que no Iraque ou na Iugoslávia".
Destacou que o Exército "desempenhará um papel essencial para restaurar a segurança, seja qual for o preço a pagar, já que se trata da unidade da Líbia" e assegurou que os militares líbios "não são os da Tunísia nem os do Egito".
Neste sentido, destacou que o Exército "permanecerá fiel à Líbia e a Kadafi até o último minuto", e que "destruirá os que fizerem um complô contra o país".
"Em vez de chorar os 80 mortos destes últimos dias, se o caos chegar, choraremos centenas de milhares de nossos irmãos e seremos obrigados a fugir de nosso país", asseverou.
"A situação é gravíssima, há um plano para a desestabilização da Líbia, que não é Tunísia nem Egito, aqui a situação é diferente, já que a Líbia é composta de tribos e não de partidos políticos e organizações e corremos o risco de uma guerra civil", acrescentou.
Seif também advertiu que a partir dessa guerra civil "poderia haver outra guerra em torno do petróleo, em torno da distribuição dessas riquezas" e os líbios correm "o risco de voltar à época da fome".
"Se não entrarmos em acordo, prepararem-se para ser de novo colonizados pelo Ocidente, já que este não permitirá a criação de um Estado islâmico na Líbia, nem deixará que se exporte o terrorismo, nem que o petróleo fique nas mãos de criminosos", ressaltou.
O filho de Kadafi assegurou que foram roubadas grandes quantidades de armas e munição em várias partes do país e que os criminosos "circulam inclusive a bordo de blindados".
Segundo sua opinião há três grupos responsáveis pelos distúrbios que sacodem o país: "O primeiro é formado por opositores de dentro e de fora".
"O segundo por organizações islamitas que se armaram e assassinaram as forças de segurança, anunciando na cidade de Al Baida a criação de um Estado Islâmico", segundo disse.
"E o terceiro é integrado por pessoas de todas as classes, entre eles crianças, drogados, foragidos da justiça e inclusive pessoas honestas, que expressam reivindicações legítimas", afirmou.
"Detivemos dezenas de irmãos árabes e africanos que têm como missão desestabilizar a Líbia e aterrorizar a população", sustentou.
O filho de Kadafi assinalou que em Benghazi foram registradas 84 mortes e em Al Baida 14 por causa dos distúrbios, reconhecendo que o Exército e as forças de segurança "cometeram erros nos confrontos com os manifestantes, disparando e matando as pessoas".
Mesmo assim, acusou os meios de comunicação internacionais de oferecer "balanços imaginários" e aos de seu país de "não haver coberto os eventos para dar a verdade sobre o que aconteceu".
Segundo seu filho, Kadafi se encontra em Trípoli e é quem "comanda o combate".
"Estamos com a Líbia, com Kadafi e lutaremos até o último minuto até a última gota de sangue para salvaguardar nosso país e sua unidade", insistiu.
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