DA EFE, EM TRÍPOLI
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
O ministro da Justiça líbio, Mustafa Abdeljalil, apresentou nesta segunda-feira sua demissão em protesto "pela sangrenta situação" de seu país, afirmou o jornal eletrônico "Quryna", próximo a Seif el Islam Gaddafi --um dos filhos do ditador líbio, Muammar Gaddafi.
Abdeljalil, que confirmou sua saída em conversar por telefone com o jornal, explicou que tomou a decisão diante da "excessiva utilização de violência" contra manifestantes por parte das forças de ordem.
A demissão é a primeira de um alto funcionário do governo desde o início dos protestos, na semana passada, contra o governo de Gaddafi.
| Sabri Elmhedwi/Efe | ||
| Ministro líbio da Justiça, Mustafa Abdeljalil, que renunciou após violentos protestos no país |
De acordo com o jornal, ao menos 61 pessoas morreram em Trípoli, cifra que também foi divulgada nesta manhã pela rede de TV Al Jazeera, que cita fontes hospitalares. Ontem, o filho de Gadaffi havia informado que ao menos 84 pessoas teriam morrido em Benghazi e outras 14 em El Beida.
A Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) calcula que entre 300 e 400 pessoas foram mortas desde o início da rebelião. Mais cedo, a ONG sediada em Nova York Human Rights Watch (HRW) havia denunciado que ao menos 233 pessoas já morreram desde o início das manifestações populares.
Há seis dias, a Líbia vive manifestações diárias contra o governo. Os conflitos se agravaram desde o último final de semana. Há dificuldades de comunicação com a embaixada do Brasil em decorrência dos problemas de comunicação. A maioria dos telefones fixos na Líbia está impedida de fazer ligações para o exterior.
CAPITAL
Dezenas de pessoas foram mortas em Trípoli durante a noite quando os protestos contra o regime do ditador Muammar Gaddafi, há 42 anos no poder, chegaram à capital da Líbia pela primeira vez desde que a revolta começou, há seis dias. Jornalistas informaram que a sede central do governo, o prédio do Ministério da Justiça e o Parlamento estavam em chamas nesta segunda-feira.
Os protestos até agora estavam mais concentrados em cidades do leste do país, onde houve dura repressão. Segundo a ONG sediada em Nova York Human Rights Watch (HRW), ao menos 233 pessoas já morreram desde o início das manifestações populares.
A emissora de TV árabe Al Jazeera, citando fontes médicas, afirmou que 61 pessoas foram mortas nos últimos protestos em Trípoli.
Segundo a TV, forças de segurança estavam saqueando bancos e outras instituições governamentais na capital e que manifestantes invadiram diversas delegacias da cidade e as destruíram.
A FIDH afirmou nesta segunda-feira que manifestantes contra Gaddafi assumiram o controle de diversas cidades do país, entre elas Benghazi e Syrta, ao mesmo tempo em que os protestos chegaram à capital, Trípoli.
"Muitas cidades foram tomadas, principalmente no leste. Os militares estão debandando", declarou a presidente da FIDH, Souhayr Belhassen, citando principalmente Benghazi, reduto da oposição, e Syrta, cidade natal do coronel de Gaddafi.
DEMISSÃO DE DIPLOMATAS
A dura repressão aos protestos gerou uma onda de demissão de embaixadores líbios em diversos países.
O embaixador líbio na Índia, Ali al Issawi, disse à BBC que decidiu deixar o cargo em protesto contra o uso de violência por parte do governo e afirmou que mercenários estrangeiros foram mobilizados para atuar contra cidadãos líbios.
O embaixador da Líbia junto à Liga Árabe, Abdel Moneim al Honi, disse a jornalistas, no Cairo, que está se unindo à revolução. Outra baixa foi o embaixador líbio na China.
Países ocidentais expressaram preocupação com o aumento da violência contra manifestantes antigoverno na Líbia.
O chanceler britânico, William Hague, disse ter conversado com Seif al Islam por telefone e que lhe disse que o país deve começar um "diálogo e a implementação de reformas".
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