A inauguração nesta semana do primeiro hotel de luxo em Ramala representa mais um sinal da consolidação da economia palestina neste território ocupado e o empenho da população em levar uma vida normal.
Após a abertura ao público do hotel na segunda-feira passado os esforços agora estão concentrados na festa de inauguração em grande estilo em 10 de novembro, que terá como convidado de honra o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.
O hotel, da rede Movenpick, de seis andares e com moderna arquitetura, fica em uma região a dois minutos do escritório do primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, e do Conselho Legislativo palestino.
A partir de suas suítes de luxo é possível apreciar uma imponente vista das áreas residenciais da capital administrativa da Cisjordânia.
Fica ainda visível o campo de refugiados de Al-Amari, o assentamento judaico de Psagot sobre uma colina e, à distância, no horizonte, a disputada Jerusalém.
Longe de invejar o desenvolvimento e o potencial econômico da cidade, os proprietários do hotel confiaram na oportunidade de negócio que propicia a calma vivida em Ramala.
"Decidimos antecipar este projeto pela estabilidade e segurança nas áreas palestinas. O território é uma terra virgem para investimentos e não só Ramala, mas também as demais cidades cisjordanianas", explicou à Agência Efe Anan Takruri, diretor-geral da Companhia Arab Hotel, proprietária da franquia.
Iniciado em 2005, o projeto representou um investimento de US$ 40 milhões e inclui 172 quartos, entre os quais duas suítes presidenciais, 20 standard, oito diplomáticas e dez de menor envergadura.
O complexo tem uma piscina externa rodeada por uma área ajardinada e restaurante, ginásio, sete salões de conferências e um salão executivo situado no terraço, além de um restaurante italiano e um bar no qual são servidas bebidas alcoólicas estrangeiras e de marcas locais como a cerveja Taibeh.
Apesar de se tratar de uma cadeia internacional, seus proprietários quiseram que o estabelecimento tivesse uma marca local para simbolizar sua conexão com o território palestino, como os salões de reunião, cada um com um nome de cada uma das sete portas da cidade de Jerusalém.
A decoração da câmara presidencial é de inspiração palestina, confeccionada em lojas de Ramala.
Cuidou-se até o último detalhe, como a comida, de produção local palestina, com a garantia de que nenhum produto consumido no hotel tenha sido fabricado em colônias judias.
Entre os principais clientes são esperados empresários, trabalhadores de agências internacionais, voluntários e diplomatas que tinham abandonado a cidade na última década por causa da Intifada de Al-Aqsa do ano 2000.
É esperada a presença de hóspedes locais, que segundo a ministra do Turismo, Khulud Duaibes, estavam ávidos por um hotel cinco estrelas, especialmente nos últimos três anos.
Em conversa telefônica à Efe, um representante do Ministério de Turismo da autoridade palestina afirmou que o objetivo é atrair visitantes de outras cidades palestinas e inclusive de Israel, e não só para pernoitar, mas para a realização de casamentos, conferências e encontros profissionais.
A ministra entende que a abertura do hotel é um sinal do bom estado da economia palestina: "acho que abrir neste momento é um sinal de confiança na economia e na situação de segurança na Cisjordânia", disse.
Alguns críticos dizem, no entanto, que apesar da economia na Cisjordânia ter crescido ao ritmo de 8% no ano passado, conforme o Banco Mundial, nem tudo que reluz é ouro, pois grande parte dessa melhoria se deve à ajuda internacional.
O novo projeto despeja sobre a região um halo de otimismo sobre a situação de normalidade neste território governado pela Autoridade Nacional Palestina, embora se trate de uma aposta arriscada já que qualquer aumento da violência pode jogar por terra todo o investimento.
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