A Corte Revolucionária de Teerã condenou à pena de morte 11 pessoas pela participação nos protestos da oposição reformista que seguiram à contestada eleição do presidente ultraconservador, Mahmoud Ahmadinejad. Dois dos condenados foram enforcados, segundo a imprensa estatal, e os outros nove aguardam sentença do Tribunal de Apelação.
Segundo a agência de notícias Isna, a corte diz que os réus foram condenados por serem moharebeh (inimigos de Deus), tentar derrubar o governo islâmico e fazer parte de grupos armados e antirrevolucionários.
O ultraconservador presidente foi reeleito em pleito do dia 12 de junho passado, com cerca de 63% dos votos contra 34% do principal candidato da oposição, Mir Hossein Mousavi. A votação foi seguida por semanas de fortes protestos da oposição por fraude.
Os protestos, enfrentados com violência pela polícia e a milícia Basij, ligada à Guarda Revolucionária, deixaram ao menos 20 mortos, dezenas de feridos e cerca de 2.000 presos. Em 27 de dezembro, durante protestos na ocasião da festividade de Ashura, ao menos oito pessoas foram mortas em um dos piores episódios de repressão desde então.
O governo iraniano nega que suas forças de segurança mataram os manifestantes na Ashura e acusa os reformistas pela violência.
"Seguindo os protestos e as medidas antirrevolucionárias nos últimos meses, particularmente no mês de Ashura, a Corte Revolucionária Islâmica considerou os casos de um número de acusados e entregou sentenças de execução a 11 deles", diz a Isna.
Até o momento, mais de cem opositores foram julgados e o governo anunciou cinco sentenças de pena de morte e outros 80 a prisão por períodos de entre seis meses e 15 anos por envolvimento com os protestos.
Executados
Segundo a Isna, Mohamad Reza Ali Zamani e Arash Rahmanipour foram enforcados no início da manhã em uma prisão da capital Teerã.
Ambos foram acusados de pertencer aos grupos de oposição Mujahedin Khalq e Assembleia do Reino do Povo, que o governo considera terrorista.
A advogada de Rahmanipour, Nasrin Sotudeh, disse à agência de notícias France Presse que ele foi detido dois meses antes dos protestos de junho. Ele teria sido obrigado a confessar sua participação diante de ameaças das autoridades contra sua família.
A advogada disse ainda estar chocada com a sua execução, já que nem ela, nem a família do condenado, receberam anúncio formal.
"Uma execução nesta velocidade e pressa tem apenas uma explicação. O governo está tentando prevenir a expansão do atual movimento [de oposição] espalhando medo e a intimidação", disse Sotoudeh, à agência de notícias internacionais Reuters.
Mensagens circulam na internet dizendo que as mobilizações vão se repetir no próximo 11 de fevereiro, data que marca o 31º aniversário do triunfo da Revolução que derrubou a monarquia do último xá da Pérsia, Mohamad Reza Pahlevi.
"Ele nunca teve o direito de se defender livremente e eu não podia defendê-lo [adequadamente]", completou.
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