DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Reagindo à decisão do ditador egípcio, Hosni Mubarak, de permanecer no cargo, o opositor Mohamed ElBaradei advertiu na quinta-feira que o Egito "vai explodir" e precisa ser resgatado pelo Exército.
"O Egito explodirá. O Exército deve salvar o país agora", afirmou o vencedor do prêmio Nobel da Paz e ex-diretor da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica das Nações Unidas) em mensagem no Twitter.
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Mais cedo o porta-voz da Irmandade Muçulmana egípcia, Issam al Arian, garantiu que não farão nesta quinta-feira nenhum comentário sobre o discurso pronunciado nesta quinta-feira à noite pelo ditador Hosni Mubarak, no qual delegou poderes ao vice-presidente, Omar Suleiman.
Membro da direção do grupo islâmico, o maior da oposição egípcia, al Arian insistiu que a Irmandade não se pronunciará oficialmente até a sexta-feira.
Nesta quinta-feira, em entrevista coletiva, os integrantes da Irmandade Muçulmana classificaram de "monólogo" o diálogo iniciado, junto de vários grupos políticos e personalidades com Suleiman e exigiram uma transição rápida "a partir da antiga legitimidade".
"Rejeitamos o monólogo, o que queremos é diálogo. Queremos soluções em dias e não em meses", afirmou nesta quinta outro porta-voz da organização islâmica, Mohammed Mursi.
Além disso, na entrevista coletiva desta quinta Issam al Arian rejeitou o acordo anunciado por Suleiman após o encontro, no qual determinou a formação de uma comissão para introduzir reformas constitucionais e sobre o qual insistiram tanto o presidente Mubarak quanto o próprio Suleiman.
MUBARAK
No esperado pronunciamento desta quinta-feira, o ditador egípcio, Hosni Mubarak, rejeitou a influência de outros países em acontecimentos políticos em seu país, e prometeu fazer uma transição democrática até setembro deste ano. Parte de seus poderes foram passados para o vice-presidente Omar Suleiman, mas Mubarak permanece no cargo até as novas eleições.
"Não vou deixar-me influenciar por demandas ou ingerências de outros países", disse ele. "Começamos um diálogo nacional construtivo, e isto resultou em harmonia para que consigamos avançar a um cronograma e para que implementemos uma transição democrática até setembro".
| AP/Egypt TV via APTN | ||
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| Hosni Mubarak, há 30 anos no poder, não renunciou e disse que apenas passa parte dos seus poderes ao vice |
Além de prometer punir os responsáveis pela repressão violenta aos protestos, o ditador admitiu as exigências dos manifestantes. "Sua demandas são justas e legítimas. Posso lhes dizer que eu, como presidente da República, respondo às causas de vocês e estou também constrangido", disse.
No entanto, deixou claro que se mantém à frente do país até as novas eleições, embora com parte de seus poderes sendo repassados a Suleiman. "Já disse antes que não vou concorrer às eleições de setembro e que me mantenho como protetor da Constituição e do povo egípcio. Esta promessa eu vou manter e me comprometo a transferir o poder a quem vencer as eleições de setembro", afirmou.
Mubarak dirigiu-se ao povo egípcio, mas destacou os jovens, que deram início aos protestos no dia 25 de janeiro e compõem a maior parte dos manifestantes.
"Estou falando a vocês, como um símbolo da nova geração do Egito, eu lhes posso contar, antes de qualquer coisa, que o sangue de seus mártires não foi derramado em vão e que vou condenar todos aqueles que cometeram crimes contra vocês", afirmou.
Comentando sobre os quase 300 mortos, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), o ditador disse: "posso dizer também a todos os familiares dessas pessoas que tudo o que aconteceu me causou dor".
MUDANÇAS
Mubarak defendeu sua permanência no cargo, apenas passando parte de seus poderes ao vice, dizendo que os trabalhos para a transição de poder já estão avançando.
"Começamos um diálogo nacional, construtivo, e isto resultou numa harmonia para que consigamos avançar a uma espécie de cronograma e plano de trabalho para que implementemos uma transição democrática até setembro. Hoje recebi do comitê que formei o primeiro texto das emendas à Constituição", disse.
O ditador comentou ao menos cinco artigos que devem ser alterados na Constituição egípcia: 76, 77, 88, 93 e 189, e disse ainda que o artigo 179 deve ser abolido.
| Dylan Martinez /Reuters | ||
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Quanto ao estado de emergência, disse que é preciso garantir que o cancelamento da medida não comprometa a segurança do país.
"A prioridade agora é restaurar a confiança entre os próprios egípcios, na nossa economia e na nossa imagem internacional, demonstrando que estamos comprometidos com as mudanças propostas", disse.
O ditador afirmou que a economia está sendo danificada dia após dia e que os manifestantes que pedem pelas mudanças serão as vítimas desses danos econômicos.
"Nunca sucumbi a pressões internacionais. Lutei pelo Egito, e nunca tentei ter mais autoridade", disse.
RUMORES
Mais cedo, vários funcionários do alto escalão no Egito afirmaram à imprensa que Mubarak, no poder há 30 anos, deve atender nas próximas horas "às exigências" dos manifestantes da oposição, que querem sua renúncia imediata.
Os rumores deram a entender que ele deixaria o cargo, o que não aconteceu.
Mubarak resiste há 17 dias aos protestos que reúnem milhares de egípcios nas ruas de Cairo e de outras cidades, inspirados na revolta popular que derrubou o ditador da Tunísia no mês passado. Os manifestantes exigem reformas democráticas e criticam o alto desemprego e pobreza durante o governo de mão de ferro de Mubarak.
Em uma tentativa de acalmar os manifestantes, dias atrás Mubarak anunciou que não concorrerá às eleições presidenciais de setembro próximo, mas alertou que ficaria no poder até lá para evitar o "caos" no país. Ele mandou ainda seu vice, Omar Suleiman, negociar com a oposição --oferta que foi rejeitada. Os manifestantes exigem que Mubarak deixe o poder antes de iniciar qualquer diálogo.
As declarações causaram grande comoção na Praça Tahrir, epicentro dos protestos, onde milhares celebraram uma possível vitória. Diante da comoção, funcionários do governo foram à imprensa negar os boatos e dizer que Mubarak permanece na Presidência.
O próprio premiê do Egito, Ahmed Shafiq, afirmou primeiro em entrevista ao serviço árabe da BBC que a decisão quanto a se Mubarak deixará ou não o poder será tomada em breve e que a renúncia está sendo discutida pelas lideranças do país. Depois, disse que "tudo está normal. Tudo continua nas mãos do presidente".
| Amr Nabil/AP | ||
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| Manifestantes antigoverno reunidos na praça Tahrir, no Cairo; ditador diz que continua no poder |
Mas em mais um sinal da possível renúncia, o comandante do Exército no Cairo, general Hassan Al Roueini, disse aos milhares de manifestantes que se reúnem na praça Tahrir que Mubarak vai atender às demandas dos manifestantes.
"Todas as suas demandas vão ser atendidas hoje", disse Al Roueini, causando vários sinais de vitória entre os manifestantes e gritos de Allahu akbar, "Deus é grande".
O Conselho Supremo das Forças Armadas se reúne nesta quinta-feira sem Mubarak, seu comandante em chefe, e anunciou na TV estatal o apoio às "exigências legítimas do povo".
Um porta-voz leu um comunicado dizendo que o conselho explora que "medidas e arranjos podem ser feitos para garantir a segurança da nação, suas conquistas e ambições de seu grande povo".
A televisão egípcia interrompeu a programação para mostrar imagens de militares lendo uma declaração que descrevem como "comunicado número um" do Conselho Supremo das Forças Armadas.
"Baseando-se na responsabilidade das Forças Armadas e seu comprometimento na proteção das pessoas e na necessidade de proteger a nação [...] e em apoio às demandas legítimas da população", o Exército "continuará examinando medidas a serem tomadas para proteger a nação e as ambições do maravilhoso povo egípcio", afirma.
O mesmo tom foi adotado pelo secretário-geral do governista Partido Nacional Democrático, Hossam Badrawi, que disse à rede britânica BBC que Mubarak poderá responder às exigências do povo até sexta-feira.
"Eu espero que o presidente responda às reivindicações do povo porque, no fim das contas, o que importa para ele é a estabilidade do país", declarou Badrawi.
| Amr Nabil/AP | ||
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| Manifestantes gritam nas ruas do Cairo; Mubarak diz que fica no poder até setembro |
O dirigente não disse se estava se referindo a uma possível renúncia de Mubarak, mas um alto oficial militar, que pediu para não ser identificado, afirmou estar "esperando ordens que farão o povo ficar feliz".
Badrawi afirmou ainda que Mubarak deve fazer na noite desta quinta-feira (esta tarde em Brasília) um discurso à nação, aumentando a especulação de renúncia.
O canal de TV Al Arabyia afirmou que Mubarak viajou para o resort de Sharm El Sheikh com o chefe das Forças Armadas, sem dar mais detalhes.
Nos Estados Unidos, o diretor da CIA (agência de inteligência americana), Leon Panetta, afirmou que há uma "forte possibilidade" de Mubarak renunciar ainda na noite desta terça-feira. A declaração foi feita em audiência no Congresso americano.
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